Autor: João Santos

Process Improvement

Nos tempos que correm a palavra “crise” passou a fazer parte do nosso dia-a-dia. Basta ligar a televisão, folhear um jornal, aceder a um Website de notícias ou, mesmo numa simples conversa, sendo quase inevitável não existirem referências à conjuntura sócio económica do país.

Este paradigma económico provocado obrigou o Governo a recorrer a um resgate financeiro e, consequentemente, veio instigar a aplicação de pesadas medidas de austeridade, numa tentativa de desespero para cumprir as metas e os acordos assinados com os parceiros económicos. É frequente ouvirmos falar em aumentos de impostos como o IVA e o IRS, no aparecimento de sobretaxas, em alterações constantes nas taxas de juro e todas estas variáveis são frequentemente usadas na implementação de processos de negócio nas mais variadas organizações.

Uma simples alteração da taxa de IVA pode provocar o caos numa organização que até à data se tenha mostrado céptica a adoptar arquitecturas orientadas a serviços (SOA). Supondo que numa organização como esta existem várias aplicações onde são utilizadas as taxas de IVA para implementar processos de negócio e que estas aplicações são totalmente independentes umas das outras tendo fontes de dados distintas, uma alteração deste género obrigaria a uma mobilização de todas as equipas responsáveis por cada uma das aplicações para que, no dia em que as novas medidas entrassem em vigor, as aplicações estivessem preparadas para responder assertivamente. Uma abordagem como esta, além de obrigar a mobilizar inúmeros recursos, torna-se mais dispendiosa quer em termos de custos quer em termos de tempo, existindo ainda o risco de ser esquecida em alguma das aplicações o que poderia ter efeitos negativos para a organização.

Na minha perspectiva, uma organização que adopte uma arquitectura orientada a serviços, em que a informação necessária para a implementação dos processos de negócio se encontre centralizada num único local, valoriza uma nova abordagem de serviços interoperáveis que podem ser partilhados e reutilizados por várias aplicações dentro ou fora da organização. Assim, a mesma alteração referida anteriormente, teria menos impacto, na medida em que apenas teria de ser reflectida num único local e seria totalmente transparente para as restantes aplicações, uma vez que estas se limitariam a consumir um serviço onde seriam disponibilizadas as taxas de IVA em vigor. Esta abordagem é muito mais vantajosa que a anterior, pois a alteração é transversal à organização, o que implica menos recursos e consequentemente menos tempo e menos dinheiro incluído.

As organizações que tenham escolhido a abordagem de uma arquitectura orientada a serviços ganha em flexibilidade e encontra-se muito melhor preparada para lidar com a crise e para se adaptar às contantes alterações que desta derivam.

Hoje em dia, é visível que grande parte das organizações já adoptaram esta abordagem e as que até aqui se têm mostrado mais cépticas estão a ser “envagelizadas” nesse sentido, sendo cada vez mais este o rumo a seguir.

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