Autor: Filipe Pitacho

Development

Metodologia ágil (agile) traduz-se em trabalhar de forma iterativa, contemplar e valorizar o feedback, solucionar problemas apenas com o necessário e acrescentar valor ao produto final.

Estas metodologias surgiram com foco no desenvolvimento de software, no entanto podem ser aplicadas em outras áreas que possuam o desenvolvimento de um produto com foco num conjunto de requisitos solicitados por um Cliente.

Considerando um exemplo: um cliente pede que lhe seja construído um carro, com um volante, quatro rodas, uma boa bagageira, de cor azul, e pretende que esse carro esteja pronto ao fim de seis meses.

Em seis meses o carro é entregue ao cliente, seguindo minuciosamente os requisitos que o cliente pediu, no entanto, este fica descontente porque não era o que pretendia. Porquê?

Porque apenas tem dois lugares – Os requisitos não foram minuciosamente levantados ou não eram 100% conhecidos.<

Porque o volante é quadrado – O “criador” sabe como construir carros, e recentemente aprendeu a construir com volantes quadrados.

Este exemplo tem como objetivo mostrar que os processos não devem ser completamente rígidos, pois os tempos avançam, surgem novas ideias, os pressupostos mudam e o conhecimento evolui.

Este problema traduz de forma clara a necessidade de metodologias ágeis que trazem uma solução focada nos pontos onde o convencional falha, isto é, na orientação para o cliente. Estas metodologias baseiam-se numa execução iterativa com o cliente, promovendo um acompanhamento e participação no processo de execução por ambas as partes, aplicando o conceito minimum value product (mvp).

Desta forma, no projeto exemplo, a cada semana seria promovida uma sessão de trabalho conjunta entre a equipa de desenvolvimento, a equipa de design e o responsável de produto. O objetivo destas sessões seria partilhar os avanços efetuados, esclarecer problemas e dúvidas que surjam e adaptar os requisitos em conformidade. Adicionalmente, a cada mês, seria ainda demonstrada uma componente concluída, para permitir ao responsável de produto ganhar mais rapidamente percepção do trabalho realizado, fomentando a deteção de erros de forma mais rápida e, consequentemente, a sua correção de forma atempada.

Apesar das metodologias ágeis se basearem em iterações e terem por base a aceitação da mudança de requisitos, é necessário aplicar estas orientações de forma prudente para não cair no exagero de apresentar ao cliente a colocação de mais um parafuso no carro.

O agile é mais que uma metodologia, é uma filosofia de trabalho.

Do meu ponto de vista, a utilização destas metodologias é claramente uma evolução positiva e com resultados mais assertivos, criando produtos mais adequados e úteis. A sua utilização deve ser previamente acordada com o cliente. É necessário compreender o que o cliente quer e se faz sentido a sua utilização, nomeadamente se este tem capacidade para nomear um responsável de produto que tenha o grau de autonomia necessário, uma vez que este tipo de abordagem torna-se impraticável se o cliente não tiver esta capacidade e se tiver um processo de tomada de decisão muito hierarquizado ou, ainda, se se mostrar irredutível quanto a prazos curtos para entrega, quanto às suas ideias, quanto à criatividade ou até mesmo quanto à recetividade de sugestões.

É de notar a relevância e o foco que esta abordagem tem no cliente, tendo em conta que é dado e assumido que todos os clientes conhecem alguns dos seus problemas, os quais pretendem solucionar. No entanto, em muitos dos casos, não conhecem a solução mais adequada para esse problema e é neste ponto fulcral que esta abordagem tem uma vantagem perante os métodos tradicionais.

Após a leitura deste artigo, será que vai começar a aplicar a metodologia ágil no seu trabalho? Fica aqui o desafio.

Publicado in i9Magazine a 13-05-2017