Autor: David Saraiva

Business Analytics

O mercado de BI não tem descartado a tecnologia Mainframe, aponta David Saraiva, consultor da área de Business Analytics da Mind Source.

A área de Business Intelligence (BI) tem vindo a ganhar cada vez mais destaque no mundo das TIs. Na verdade, desde os grandes “players” do mercado às chamadas PMEs, existe uma aposta cada vez mais firme em ter uma equipa de colaboradores exclusivamente orientados na recolha e tratamento da informação. É esta informação que será responsável por apoiar e fundamentar as tomadas de decisão de alto nível na organização.

Restringindo-nos apenas à área financeira e, mais especificamente, a entidades bancárias e seguradoras, grande parte da informação existente no sistema operacional passa pelo “velhinho” sistema Mainframe. Assim sendo, associar BI ao Mainframe não é difícil e parece até natural. Sabendo que na base da área de BI está sempre a informação e que os Data Warehouses (DW) são os grandes recipientes, fará todo o sentido pensar num DW embebido no sistema Mainframe, tirando assim todo o partido do sistema de armazenamento de dados nele existente, o chamado DB2.

No mercado existem várias ferramentas possíveis para se construir um DW, cada uma com as suas vantagens e desvantagens, estando a decisão final dependente de variáveis tais como escalabilidade, robustez, manuseabilidade, flexibilidade, facilidade de integração com outros sistemas, custo financeiro e fiabilidade.

Comparando o Mainframe com as novas tecnologias que foram surgindo para o Data Warehousing, o senso comum entre os profissionais de TI diz que em termos de performance, escabilidade, manuseabilidade e segurança, pode considerar-se que o rendimento do Mainframe não será inferior. Neste sistema, todos esses pontos estão fundamentados e cimentados ao longo de muitos anos de existência.

O argumento mais utilizado na defesa das novas tecnologias é de que usando uma arquitetura Windows ou Linux para correr uma base de dados SQL Server, Oracle ou MySQL, o seu custo financeiro é reduzido comparado com o equivalente em Mainframe. Relativamente a esse custo é necessário fazer uma análise cuidada, tendo sempre em conta que se a máquina de Mainframe já se encontra instalada e a ser usada, como por exemplo no sistema operacional da organização, e se essa situação não for alterada, deve-se comparar o custo entre adquirir uma nova solução para a versão Mainframe existente contra a típica situação de adquirir, instalar, otimizar e manter todas as componentes existentes na nova plataforma.

A verdade é que o mercado de BI não tem descartado a tecnologia Mainframe. Facto este comprovado através da existência de diversas ferramentas de BI que facilmente realizam a integração quer com o Mainframe quer com o DB2. O software SAS ou o SPSS (produto pertencente à IBM) são dois excelentes exemplos disso mesmo.

Portanto, mesmo numa tecnologia com muitos anos de existência, tal como o Mainframe, é viável e em alguns casos até aconselhável construir um moderno e consistente DW para a organização.

Publicado a 01-09-2015 no Computer World

http://www.computerworld.com.pt/2015/09/01/data-warehousing-combina-com-...