Autor: Nelson Trindade Silva

Legacy Systems

A Funcion Points Analysis foi desenvolvida pela Internacional Function Point Users’ Group (IFPUG) e é uma técnica de medição das funcionalidades disponibilizadas por um software do ponto de vista dos utilizadores. O Function Point (FP) é a sua unidade de medida, que tem por objectivo tornar a medição independente da tecnologia utilizada para a construção do software.

Processo de Medição e Tamanho Funcional
As principais técnicas de estimativa de Projectos de desenvolvimento de software assumem que o tamanho de um software é um factor vital para a determinação do esforço da sua construção. Logo, saber o seu tamanho é um dos primeiros passos do processo de estimativa de esforço, prazo e custo. É exclusivamente uma medida de tamanho funcional do software, sendo que a medição do tamanho em conjunto com outras variáveis poderão ser utilizadas para estimar a produtividade, o esforço e o custo do Projecto de software.
O tamanho funcional é uma medida de tamanho de software, baseada numa avaliação padronizada dos requisitos lógicos dos utilizadores.
As FPs não são dependentes da implementação física e das linguagens utilizadas no desenvolvimento de software. Da mesma maneira que a medida em metros quadrados do tamanho de uma casa não permite deduzir a velocidade com a qual a casa pode ser construída ou o seu tempo de construção, o tamanho em FP não mede a produtividade ou o esforço de desenvolvimento.
As FPs medem o tamanho das funcionalidades do software, ao invés de como é desenvolvido e implementado. Isto significa que, dado um conjunto de requisitos evidenciados pelo utilizador, o tamanho funcional do software será o mesmo, independentemente da linguagem de programação, tecnologia e respectiva implementação.

A Importância da medição dos SI
Carol Dekkers” (expert mundial no que toca a FPA) refere no seu blog “Musings About Software Development” que “As estimativas de tempo de desenvolvimento de Projectos é um dos grandes problemas do desenvolvimento de software e a situação não parece melhorar mesmo com a implementação de frameworks como o CMMI. Não parece importar o quanto avançada ou madura é a organização das TI. Quando um Projecto parece cumprir a data de entrega é frequentemente uma coerção – isto é, o Gestor do Projecto consegue “manipular” a estimativa do Projecto para corresponder com uma data final muitas vezes arbitrária.”
Ou seja, muitas vezes o Projecto é entregue na data acordada, mas sem algumas das funcionalidades identificadas no levantamento de requisitos ou então os managers conseguem encontrar razões fortes para provar ao Cliente ou utilizador final de que a razão do atraso se deve aos requisitos mal definidos, e lá se consegue adiar a data de implementação. Porém, com o FPA as grandes causas dos atrasos dos Projectos podem ser reduzidas a um nível mínimo, sendo que uma organização já com alguma experiência em FPA pode ainda reduzir o tempo perdido em situações não previstas, de forma a não comprometer o prazo final.
Uma organização com um ano de uso de FPA consegue começar a reduzir o chamado “defect rate” e estimar a relação FP/hora. Todo este processo leva a que a médio prazo se consiga atingir um nível de maturidade que permita uma crescente facilidade e segurança na negociação dos prazos de entrega, avançando-se apenas para aqueles que garantem um retorno positivo.
O que não acontece quando se estimam datas de entrega sem um suporte como a FPA?
Sem medição de software apenas se sabe quanto tempo disponível ainda resta em determinado Projecto. Todas as decisões são tomadas reactivamente, ou seja, depois do início do Projecto, adaptando-se as condições à medida que se avança no tempo.
Porém, torna-se difícil garantir que sempre que uma empresa de TI investe na implementação de FPA que o sucesso esteja garantido. Se numa determinada organização a formação não abranger todas as pessoas envolvidas no processo de cálculo e/ou se nos primeiros meses não houver um forte acompanhamento de um especialista de FP das contagens efectuadas, a tendência é entrar num caminho errado.

Que Futuro?
Organização é a palavra-chave do futuro dos Sistemas de Informação. Preparação, Organização e Previsão são elementos cruciais e devem ser encarados com a maior seriedade. Com a crise internacional ainda instalada, esta é a altura ideal para investir em métodos de contagem como o Function Points para que no futuro o risco de não obter resultados positivos em Projectos seja reduzido ao mínimo. Afinal, Projectos lucrativos tornam-se o principal objectivo de todas as organizações, independentemente do sector.