Autor: Bruno Coelho

Business Analytics

(Oh não, mais um artigo sobre profecias bipolares dantescas?!)

Se há coisa que resulta da interpretação do panorama atual sobre a temática, é que parecem existir três opiniões:

1. IA: The Terminator;
2. IA: The Jetsons
3. 
IA: Wall-E

Pedimos, desde já, desculpa, aos “millennials”, porque não devem conhecer a primeira nem a segunda referência.

Passamos a explicar: se um bom par de pessoas vê na IA o extermínio de toda a raça humana a la The Terminator (para mais detalhes, regressar no tempo, a 1984, e ver um ex-governador com um endosqueleto de metal, também chamado de T-800 Model 101), outro par de pessoas vê a IA como uma projeção animada da realidade de uns desenhos (The Jetsons – 1962-1963 e 1985-1987). Como?! Bem, nestes desenhos animados todos trabalham apenas uma hora por dia, dois dias por semana, deslocam-se de “aerocarro”, e tudo isto é possível porque a vida quotidiana é coadjuvada por uma panóplia de “aparelhos” inteligentes.

Já nesta Santíssima Trindade, há os últimos que olham para a IA como a salvação da raça humana (os tais Wall-Es), temperada com uma boa moral herdada, por osmose, dos humanos.

Parece-nos que, paralelamente à nossa sede de saber de onde viemos, quem e como fomos feitos, existe uma vontade inerente à condição humana em sermos, de igual modo, criadores.

O Homem depara-se agora com, talvez, o último desafio: criar inteligência.

Em “Ex Machina” criámos Ava, um robot de formas femininas que nos provou que nada é mais humano do que a vontade de sobreviver. Já no filme “A.I. – Artificial Intelligence ” criámos robots com capacidade para amar.

Até aqui “a coisa” parece pacífica, mas, entretanto, os robots ganham vida própria, e aparentemente “vida própria” significa ver todos os humanos como alvos a abater (“Eu, Robot”).

E se o panorama já parece assustador, então o que dizer de robots que nos transformam em pilhas para sustentar toda uma raça de máquinas que não nutrem muito amor por nós (Matrix)?!

Chegado a este ponto parece-nos que, de todas as visões, a mais parcimoniosa será a do filme de 1968 “Metropolis” (os millennials estão completamente perdidos), em que um robot é usado como uma ferramenta para manipular e causar a discórdia.

Mas parcimoniosa, porquê? Porque é mais natural que, por si, a IA não seja boa nem má, que não detenha em si uma essência axiológica mas sim que o uso que fazemos dela é que seja o ónus da questão.

Isto remete-nos para o verdadeiro “medo” da IA: se por si só o elemento é neutro e será o Homem a definir a sua atuação, não deveremos estar mais preocupados com a nossa intervenção?

Para muitos a opinião que tecem sobre o tema acaba por ser uma questão de gosto pela abordagem (como o bife: mal, médio ou bem passado). Para outros é mais dramático: biológica, transgénica ou processada?

Parece-nos que a abordagem tem que mudar, o mindset tem de se focar mais no “criador” e menos na “criação”. Como? Ora pensemos:

- Como queremos que a IA seja criada/arquitetada?
Como queremos que seja aplicada?
Em que dimensões da nossa vida faz sentido aplicar?
Teremos que legislar sobre este tema? Teremos que nos proteger da IA criada por “homens maus”?
Se a proteção de dados é o novo paradigma legislativo, então e a proteção da IA?

A regulamentação deste novo universo parece ser ainda um não-tema, uma não-preocupação. Ou não tivéssemos já entre nós a Sophia, a robot mais mediática da atualidade. De todos os ângulos e formas de delapidar este assunto, será o mais importante perceber os preconceitos, estigmas e arquétipos embutidos no código da Sophia?

Parece-nos que a abordagem passará por IA enquanto elemento probiótico da nossa vida humana: que nos ajude, faça companhia, divirta, cure e traga valor acrescentado à nossa condição humana.

Publicado a 28-12-2017 in Sapo Tek