Autor: Rui Rocha

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Desde sempre, os professores procuram novas formas de estimular a motivação dos seus alunos, para uma melhor aprendizagem, cooperação, imaginação, criatividade, entre outras. Antes da grande expansão que as tecnologias tiveram na década de 90, a grande fonte de conhecimento e de aprendizagem para os jovens era a escola, os livros e os jornais. No entanto, há que destacar que nem todas as pessoas tinham acesso à escola o que fazia com que o simples facto de estar na escola fosse toda a motivação que os alunos necessitavam. Com o passar do tempo, sentiu-se uma necessidade de usar atividades exteriores, por exemplo visitas de estudo, de forma a dar uma motivação extra aos alunos. 

Hoje em dia, com o crescente uso da informática, os jovens ganharam novos gostos e uma nova mentalidade onde por vezes o facto de estar na escola pode não ser suficientemente motivante.  Vivemos numa sociedade onde a quantidade e a diversidade de informação é muito vasta e onde o acesso e a disponibilização da mesma, está extremamente facilitado. Deste modo as novas tecnologias garantem que quando algo de novo acontece, esta mesma informação é disponibilizada na Web, ficando imediatamente acessível, em qualquer ponto do mundo. Por isso, o uso da internet pode ser uma mais valia, quando bem aplicada no contexto de aprendizagem escolar dentro de uma sala de aula.  

Fazendo uso desta fonte de conhecimento quase ilimitada, que se encontra em constante crescimento, os alunos podem ser estimulados e motivados, interagindo de uma forma mais dinâmica com as matérias lectivas. Deste modo podem eles próprios contribuir com a disponibilização de outros conteúdos, que possam ser importantes à discussão dos conteúdos lectivos. 

Duas “ferramentas”, que podem ser usadas para tentar estimular interativamente a motivação dos jovens, não só devido à popularidade que adquiriram, como também pelas suas funcionalidades, são o YouTube e as redes sociais (usaremos o Facebook como exemplo). A utilização destas “ferramentas” pode ser benéfica e pode também aumentar os níveis de motivação dos alunos devido ao tipo de acesso à informação que disponibilizam.

Pretende-se perceber como estas “ferramentas” podem ser usadas como métodos de ensino. Ambas apresentam várias funcionalidades que podem ser utilizadas por um professor na sua atividade de leccionar tais como:

O YouTube é um excelente repositório para conteúdos audiovisuais, que permite, por exemplo, criar canais onde se pode agrupar conteúdos pelo que torna simples a partilha de vídeos e a organização de conteúdos por temas;

Os grupos no Facebook podem ser constituídos por alunos de uma turma específica ou mesmo por alunos de um dado ano ou escola, pelo que permitem acelerar e facilitar a partilha de vídeos, como por exemplo vídeo-aulas;

Os posts no Facebook, podem ser usados para os professores lançarem, desafios aos seus alunos, permitindo a estes responder na própria página, de uma forma rápida e simples, estimulando assim a pro-actividade, a imaginação e criatividade dos alunos;

As ligações no Facebook, permitem a partilha de sites, com conteúdos educacionais;

Por fim os eventos no Facebook, permitem aos professores divulgar datas importantes, como as datas de testes ou de entrega de trabalhos;

O uso destas “ferramentas” tem crescido exponencialmente nos últimos anos, e por exemplo, o YouTube já serviu como dinamizador tanto de artistas, como Mia Roseou  como de novos desportos, o Parkour, que foi amplamente divulgado entre os jovens e que ganhou milhares de fãs. 

Como em tudo o uso excessivo destas “ferramentas”, pode trazer consequências, como um caso que aconteceu recentemente em Portugal, em que foi filmada uma agressão dentro de uma sala de aula, entre uma aluna e uma professora, e posteriormente este vídeo foi disponibilizado no YouTube. Outro caso polémico, foi a agressão de uma rapariga por parte de duas outras raparigas mais velhas, tendo esta mesma agressão sido publicada através do Facebook. Desta forma o uso não controlado pode não ser benéfico.

No plano do ensino já surgem notícias de professores, principalmente no Brasil, que usam estas “ferramentas” como métodos de ensino e até mesmo estudos, demonstrando que estas podem ser boas opções para melhorar o nosso ensino e a motivação dentro de uma sala de aula. No entanto, creio que para um uso bem sucedido destas “ferramentas”, devem ser delineadas estratégias, que passam por definir como agrupar conteúdos, que tipo de desafios devem ser lançados aos alunos, como comunicar esses desafios, por exemplo se através de um conteúdo audiovisual, se através de um post de Facebook, e principalmente como analisar a resposta que os alunos dão ao uso destas “ferramentas” no ensino. 

A utilização destas “ferramentas” também levanta outro tipo de questões, tais como a linguagem que deve ser usada, pois esta pode influenciar a relação que os alunos têm com o professor e que por sua vez influência o sucesso do uso destes mecanismos. Ainda assim penso que as vantagens suplantam os possíveis problemas e por isso pergunto, porque não usar estas “ferramentas” no ensino Português?