Na Mind Source, antes do confinamento apenas 1 em cada 10 colaboradores fazia trabalho remoto 1 vez por semana, e menos de 1% trabalhava remotamente 2 vezes por semana.
Em exclusivo à RHmagazine, Rui Reis, diretor executivo da Mind Source, partilha os resultados desse estudo e explica o que a empresa projeta fazer para que no futuro os cerca de 200 colaboradores da empresa possam tirar o máximo partido das duas modalidades de funcionamento laboral.
Maioria poupa tempo sem as deslocações, mas trabalha mais horas por dia
De acordo com o relatório, em média, cada pessoa poupa 98 minutos em deslocações diárias, sendo este tempo redirecionado maioritariamente para trabalhar (36%) ou para fins pessoais (34%). 64% dos inquiridos afirmaram poupar entre 1 e 3 horas diárias, tendo em conta o tempo que era gasto nas viagens de ida e volta para o escritório ou deslocações para reuniões. Esta parece ser uma das principais vantagens do teletrabalho, com 1 em cada 5 colaboradores a indicarem que abdicariam de parte do salário para passar a trabalhar em casa.
O estudo mostra também que 52% dos colaboradores passaram a trabalhar mais 1 a 2 horas por dia. A produtividade aumentou para 61% dos profissionais, sendo que este aumento foi maior para os colaboradores sem filhos e para as não-chefias. Contrariamente ao aspeto anterior, o aumento da carga de trabalho foi mais expressivo para as chefias e para a faixa etária dos colaboradores com 25 anos ou menos. No geral, 54% dos inquiridos revelaram que o volume de trabalho aumentou. Já a motivação aumentou mais na faixa dos 26 a 35 anos, apesar de o stress também ter aumentado mais nesta faixa etária. O stress afetou mais os colaboradores sem filhos e as não-chefias.
Mais produtividade e melhor relação com as chefias
Segundo este estudo interno, 86% dos colaboradores da Mind Source consideram que a relação com a sua chefia se manteve igual, 11% considera que melhorou e apenas 3% que piorou. Já as lideranças têm uma experiência mais positiva: dos 16% dos colaboradores que gerem uma equipas, 36% consideram que a relação com a sua equipa melhorou, 60% que se manteve e 4% que piorou. Segundo Rui Reis, através das ferramentas tecnológicas disponíveis atualmente, a empresa procurou instaurar algumas boas práticas para manter uma comunicação constante e eficaz entre as equipas. Todas as pessoas da empresa, incluindo os novos colaboradores, realizaram formação em Microsoft Teams, para se familiarizar com esta ferramenta que permitiu a comunicação entre equipas e o trabalho colaborativo. “As equipas comunicaram entre si através da ferramenta Microsoft Teams, que permite à equipa começar o dia com uma daily, manter os rituais e os horários, ou manter o Teams ligado durante todo o período de horário de trabalho”, explica. No relatório agora revelado, 89% dos colaboradores indicam que mantiveram contacto diário com a equipa, 40% das chefias acreditam que a produtividade se manteve e 56% consideram mesmo que melhorou. Para ajudar as chefias a liderar em teletrabalho - uma realidade desconhecida para muitos - e de acordo com as necessidades de cada líder, foram realizadas várias formações e-learning, nomeadamente, Leaders: Make Your Teams More Agile, Creative, and United; Gestão de Equipas Virtuais; Como comunicar no Teams; Colaboração entre equipas no Office 365; Como definir metas e equipas; Como planear a comunicação em tempos de mudança; Comunicação em tempos de crise; Liderança colaborativa; Como dar e receber feedback.
Quase 1 em cada 4 colaboradores sentiu a saúde psicológica afetada
Os dados recolhidos com este estudo mostram que 34% dos profissionais desta tecnológica sentiram-se ansioso com o regresso ao trabalho presencial, 24% sentiram a sua saúde psicológica afetada e 1% acabou mesmo por recorrer a apoio psicológico. Relativamente à saúde física, 39% praticou exercício físico moderado ou intenso e 85% manteve uma alimentação saudável. Apesar de não sentirem falta de ir ao escritório, os colaboradores apontam que a socialização com os colegas é aquilo de que grande parte mais sente falta (71%). Para manter os momentos de convívio, a empresa criou ainda um café virtual, o “Mind Coffe Break”, para que os colaboradores se pudessem encontrar nas suas pausas de café e conviver um pouco, preservando a união da equipa. “O nosso aniversário foi também celebrado remotamente. O dia começou com uma mensagem em vídeo da administração para toda a empresa e terminou com uma reunião de toda a equipa nesta plataforma, o Teams, para juntos cantarmos os parabéns e partilharmos um pouco desta experiência com a equipa”, conta o diretor geral.
Formato híbrido
Para já, o teletrabalho é ainda a melhor solução nos tempos de pandemia que correm, e o estudo veio reforçar a segurança em manter este formato. “Com base no estudo, bem como no feedback dos nossos clientes, conseguimos constatar que os níveis de produtividade se mantiveram ou mesmo aumentaram na grande maioria dos casos. Face a estas evidências e com vista a preservar a segurança e a saúde das nossas pessoas, temos vindo a prolongar o confinamento e o regime de teletrabalho na grande maioria dos casos, ainda sem data prevista de regresso ao trabalho presencial”, afirma Rui Reis. Mas num futuro próximo, a solução passará por definir um formato híbrido. Ora, na Mind Source, tal como na maior parte das organizações, não há consenso sobre o número ideal de dias de teletrabalho num modelo que contemple também o presencial. Com 90% dos profissionais a afirmar que conseguem desempenhar todas as suas funções em trabalho remoto, quando questionados sobre quantos dias gostariam de trabalhar a partir de casa, as opiniões dividem-se: 32% referem 4 dias da semana, 28% apontam apenas 3 dias, 32% afirmam 2 dias e 9% diz apenas 1. Neste aspeto não há consenso, mas há claramente uma vontade de enveredar por este modelo híbrido no futuro, com pelo menos, segundo o responsável, 2 dias de trabalho remoto por semana. “Estamos a estudar qual o modelo híbrido de trabalho remoto e presencial que será mais benéfico tanto para os nossos clientes como para os nossos colaboradores. O objetivo no futuro é adotarmos cada vez mais esta nova forma de trabalhar”, remata.
Publicado em RH Magazine | Edição 129 Julho Agosto 2020

07/08/20, 00:00
RH Magazine publica Estudo da Mind Source: Trabalho Remoto vs Presencial
Teletrabalho
RH Magazine publica Estudo da Mind Source: Trabalho Remoto vs Presencial
Na Mind Source, antes do confinamento apenas 1 em cada 10 colaboradores fazia trabalho remoto 1 vez por semana, e menos de 1% trabalhava remotamente 2 vezes por semana.
7 de agosto de 2020








