Mentoring inverso: como os profissionais seniores e juniores em IT crescem juntos
- Mind Source
- 22 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2025
O teletrabalho, apesar de trazer muitos benefícios de flexibilidade, tem-se revelado um obstáculo à troca de experiências entre juniores e seniores, especialmente no que diz respeito à aprendizagem informal e ao mentoring intergeracional.
Quando não há presença física no escritório, perdemos as conversas de corredor, os momentos espontâneos de observação e shadowing, cruciais para o desenvolvimento dos profissionais mais novos através da proximidade com os mais experientes.
Por exemplo, segundo um artigo do Financial Times, o modelo híbrido ou totalmente remoto “impede que os jovens aprendam ao lado de profissionais seniores”, dificultando a replicação do modelo tradicional de “aprendizagem por aproximação” (apprenticeship).
O mentoring inverso surge como uma prática diferenciadora em que também os profissionais juniores ajudam os seniores a crescer, criando uma relação de aprendizagem bidirecional.
No setor das Tecnologias de Informação (TI), a aprendizagem nunca acontece num só sentido. Se, tradicionalmente, os profissionais mais experientes transmitiam conhecimento aos mais novos, hoje sabemos que ambos beneficiam substancialmente desta partilha.
O que é o mentoring inverso?
O mentoring inverso é uma abordagem em que profissionais juniores partilham competências, experiências e perspetivas com colegas seniores. Longe de substituir o mentoring tradicional, esta prática complementa-o, promovendo um ambiente colaborativo e rico em diversidade de pensamento.
O que os profissionais experientes de IT ganham com esta prática?
Atualização em tecnologias emergentes: muitas vezes os juniores estão mais próximos das linguagens mais recentes, frameworks e metodologias ágeis.
Novas perspetivas digitais: gerações mais novas trazem uma visão fresca sobre tendências digitais e comportamentos de utilizadores.
Adaptação cultural: a troca constante ajuda os profissionais mais séniores a compreender melhor as expectativas das novas gerações no trabalho.
O que os talentos em início de carreira recebem do mentoring inverso
Acesso a experiência acumulada: aprendem com decisões estratégicas e contextos complexos que só a vivência proporciona.
Orientação de carreira e liderança: os séniores podem apoiar no planeamento de progressão e no desenvolvimento de competências.
Maior visibilidade interna: ao contactarem com perfis séniores, os júniores aumentam o networking e a exposição dentro da organização.

Benefícios para as empresas de IT
Não são apenas os profissionais que beneficiam mutuamente desta interação, também traz vantagens para as empresas:
Cultura de partilha e colaboração.
Aumento da inovação, graças à heterogeneidade de perfis que alia a experiência a novas ideias.
Maior retenção de talento, pois tanto séniores como júniores sentem-se valorizados e ouvidos.

Como implementar o mentoring inverso, na prática
Programa estruturado de Mentoring Inverso:
1. Definir os objetivos:
É importante definir objetivos claros para ambas as partes.
Exemplo: acelerar transformação digital, fomentar diversidade geracional, desenvolver competências digitais, promover inovação
Definir que metas quer alcançar e que resultados vai medir. Como se define o sucesso do programa? Exemplo: novas iniciativas implementadas, melhoria de competências, feedback de satisfação.
2. Processo de seleção:
Criar um processo de matching entre mentores (jovens) com competências relevantes e mentees (líderes/seniores) interessados em aprender essas competências, baseado em:
objetivos
perfis
complementaridade de conhecimentos
disponibilidade
Para este processo de matching pode-se utilizar um questionário inicial ou entrevistas de 15 minutos.
3. Formação inicial
Antes do kick off, é essencial formar ambos os participantes, para que tenham as ferramentas certas. Workshops sobre "Como dar Feedback" e de Comunicação / escuta ativa podem ser úteis para potenciar ao máximo as mais valias do processo.
4. Definir Plano de encontros
duração recomendada (quantos meses vai durar o processo)
frequência dos encontros (mensal, por exemplo)
formato (online, presencial ou híbrido)
duração sugerida
5. Ferramentas de apoio
templates de agendas de reunião
guia de perguntas para discussão
sugestões de temas por mês (ex.: ferramentas digitais, tendências de mercado, cultura jovem, experimentação)
manual do participante
espaço para partilha de recursos
formulário para registo de aprendizagens
materiais de acompanhamento (checklists, guias, vídeos curtos)
6. Monitorização contínua
reuniões de checkpoint com RH
relatório mensal simples
possibilidade de ajustar pares se necessário
7. Avaliação e comunicação de resultados
No fim do processo avalia-se o resultado. Isso reforça o valor do programa e incentiva futuras edições.
recolher feedback de ambos
medir o impacto nos objetivos definidos
recolher histórias de sucesso e partilhar internamente
O mentoring inverso é mais do que uma tendência, é uma estratégia para empresas que querem crescer de forma sustentável. Ao permitir que profissionais seniores e juniores aprendam uns com os outros, criam-se equipas mais fortes, inovadoras e preparadas para os desafios da transformação digital.



